São vários os temas sociais controvertidos no nosso cotidiano, sendo que um destes é o homossexualismo e, embora essa faceta de controvérsia, não se pode negar a necessidade premente de toda a sociedade brasileira enfrentar as questões relativas à tolerância e à discriminação ao homossexual. Neste ponto, faz-se útil recordar que tolerância não é concessão, condescendência, indulgência é, antes de tudo, uma atitude ativa fundada no reconhecimento dos direitos universais da pessoa humana e das liberdades fundamentais do outro. Isso significa que a concordância de idéias não é um requisito indispensável para a tolerância. Além disso, é possível inferir que discriminar significa fazer diferença e, por conseguinte, renegar os direitos fundamentais da pessoa humana em razão de raça, sexo, religião etc.
Os homossexuais são titulares dos mesmos direitos assegurados a todos os cidadãos, incluído o direito ao respeito e à consideração. Porém, respeito e tolerância não implicam aceitação. Por isso, eles não poderiam exigir que o seu modo de viver fosse aceito por toda a sociedade.
Diante de tais fatos, resta a nós analisarmos a postura da sociedade de hoje, nos dias atuais, onde mudou e onde continua igual o tratamento aos homossexuais, uma vez que se defende tanto a liberdade em todos os sentidos.
O Jornal O Popular, que circula em todo o estado, traz diariamente notícias cotidianas do nosso estado e do mundo, e não é raro de se ver casos de atentados, homicídios, discriminação, e até mesmo linchamento de homossexuais em pleno século XXI. Uma barbaria que se repete até os dias de hoje, desde a antiguidade. O Jornal O Popular do dia 10 de Agosto de 2006, traz a seguinte notícia: “Jovens denunciam homofobia em shopping”, por Amanda Dorian; no dia 25 de Junho de 2006, outra notícia: “Tabu recorrente. Homossexualismo é tema corriqueiro nas ficções, mas ainda causa polêmica” por Diogo de Oliveira. Mais um pouco e vemos “Respeito à Diversidade, Professor da UnB afirma que é preciso desmistificar a idéia de que todos os homossexuais são promíscuos e diz que a mídia reforça preconceito e estereótipo” por Renato Queiroz. Atualmente vemos o crescimento de movimentos de grupos lutando pelo direito de poder ser “normal”, ser tratado como “normal”, e não como uma anomalia, um erro da natureza. São vários os noticiários que denunciam tais comportamentos e essas atitudes tem estado cada vez mais perto de nós, mais próxima.
O Jornal citado acima, ainda trata do assunto trazendo conceitos de psicólogos, psiquiatras, e até mesmo a própria família que tantas vezes sente vergonha do ente e simplesmente se afasta dele, como se o homossexualismo fosse uma doença contagiosa e vergonhosa.
O site www.brasilcommunity.com.br traz uma reportagem escrita por Alexandre Nallin, com o tema “O homossexual na sociedade”, onde ele aborda claramente o preconceito social que é evidente e agressivo. Não se vê este ser, como qualquer ser humano e sim como uma aberração. Seus atos são considerados abomináveis, eles são transgressores e, necessitariam de punição legal e dissuasão social.
De uma maneira geral, são tidos como traidores, fracos sexualmente, afeminados ou sapatonas, compulsivos, tristes, depressivos e desajustados. O preconceito está presente mesmo entre eles. Numa entrevista à revista Isto é, um homossexual disse “Eu sempre sou ativo”, não aceitando ser chamado de homossexual. O termo “Entendido” surgiu na década de 60 e é o equivalente a “gay” (guei do inglês gay, alegre, gaio). Nesta mesma década, o mundo capitalista, com seu poderoso marketing, arranca com os empreendimentos que exploram o mercado homossexual.
O homossexualismo marcou presença na Grécia da Antiguidade, no mundo dos bárbaros e até entre os famosos filósofos como Sócrates e Platão. Atualmente, as pessoas estão tentando se conscientizar do problema e os preconceitos em relação às preferências sexuais estão sendo considerados obsoletos, apesar de que, nos aspectos morais, a realidade e a vivência são diferentes do que se fala nos livros e revistas, não deixando os homossexuais serem vistos como promíscuos e baixos. Juridicamente, os homossexuais estão adquirindo direitos incomuns legais como o casamento. A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, foi a autora, quando deputada federal, do projeto de lei que regulamenta a união civil entre homossexuais. Psicologicamente, a homossexualidade é vista como um desajuste na formação da personalidade infantil, mas os próprios homossexuais não sabem explicar a sua preferência. O preconceito é o maior vilão da não integração destes grupos, tanto gays quanto lésbicas, à sociedade. Ele impede a normalidade da vida destas pessoas, fazendo com que estas se sintam culpadas de terem este comportamento sexual, que na verdade pertence somente a cada uma delas independente de qualquer outro comportamento ditado pela sociedade como sendo normal.
Bruno Araújo é aluno do 3º ano de História da Universidade Estadual de Goiás.
5 comentários:
Em primeiro lugar eu gostaria de parabenizar o Bruno pela tentativa de escrever um artigo com essa temática. Eu gostaria de comentar sobre algumas lacunas ou equivocos existente nesse artigo. Bruno, o termo homossexualismo(usado no titulo do seu artigo) caiu em desuso,o termo "homossexualismo" foi usado durante muito tempo pelas areas "Psi"(Psicologia e Psiquiatria) para caracterizar uma transtorno, um desvio de personalidade etc. Na contemporaneidade se usa Homossexualidade, pois, no final da decada de 70 e começo de 80, a Organização Mundial de Saúde retirou o termo (homossexualismo) dos manuais de Patologias. A outra questão que eu gostaria de comentar é sobre essa frase: "Psicologicamente, a homossexualidade é vista como um desajuste na formação da personalidade infantil...", essa afirmação é um equivoco, Bruno, você deveria ter lido um pouco mais sobre a visão que a Psicologia possui sobre a Homossexualidade!!! Falar que a Psicologia diz que a homossexualidade seria um desvio, mostra que você fez algumas leituras apressadas sobre o assunto. Quem acreditava que a homossexualidade seria um desvio é a Psicanalise clássica(Freud), e mesmo assim, essa crença só existiu nos seus primórdios. Na contemporaneidade, tanto a Psicologia como a Psicanalise, não acreditam que a homossexualidade seja um desvio na personalidade (Utilizando os termos técnicos da Psicanalise: que a Homossexualidade seja uma fixação da criança na sua fase anal e que, deve ser superada a partir da Analise. Enfim, a Psicologia e muito menos a Psicanalise continuam acreditando nessa sua afirmação. Bruno, eu vou lhe recomendar algumas leituras sobre esse tema:"Uma Interpretação do Desejo" de Jonh Gagnon (esse autor abriu caminho e deu base para os trabalhos de Foucault), " A ordem do Sexual" e "Mal Estar na Atualidade: a Psicanalise e as novas formas de subjetivação" de Joel Birman (esse último livro vai esclarecer algumas coisas sobre o posicionamento da Psicanalise e da Psicologia na atualidade).
Bruno... de qualquer forma eu achei interessante um aluno de História escrever sobre tal assunto.
Marcos, gostaria apenas de comentar o final de teu comentário em que você expõe tua admiração por um acadêmico de história se interessar pela temática da homossexualidade. Você sabe que não foram poucos os historiadores que, neste tempo que chamamos de contemporâneo, se debruçaram sobre o tema e problematizaram a questão em várias temporalidades e espacialidades a partir da interdisciplinaridade com a psicologia, com a antropologia, com a teologia, com a sociologia, entre outras disciplinas ou ciências tidas como humanas ou sociais. Se a psicologia e, no seu interior a psicanálise, tem trazido novas abordagens acerca da homossexualidade, enfrentando e derrubando tabus, pondo de lado visões que agora chama de preconceituosa, ultrapassada, é porque ela tem acompanhado a sociedade e os homens e as mulheres que a compõem nos seus movimentos de compreensão e explicação que fazem de "si". Se a história é filha de seu tempo, a sociologia, a antropologia, a psicologia e tantas outras "ciências" ou disciplinas também o são e, ainda, se a história faz suas rupturas epistomológicas a partir das várias contribuições de suas "ciências irmãs", a psicologia também faz suas rupturas a partir de seu diálogo com as outras ciências, não fez e não faz sozinha, apenas num movimento interior. Vivemos num mundo de relações, de complementariedade, de constante cooperação, e as conquistas espitemológicas e teóricas são de todos e de todas as áreas do saber. Espero que me entenda, Marcos ... Abraços
Sergito... em momento algum eu disse que a Psicologia não dialoga com as outras areas do conhecimento! Pelos livros que eu indiquei você pode perceber isso, pois, são discussões dentro Sociologia(Gagnon) e Filosóficas ( mesmo o Birman tendo formação na area de Medicina, os seus estudos de pós- graduação são na area da Filosofia). A crítica que eu fiz está relacionada ao uso indevido de alguns termos. Quando disse que achei interesse um aluno do curso de História escrever sobre tal assunto, não deixei muito claro o que quis dizer, não me surpreende um aluno de História escrever sobre tal coisa, o que me surpreende é um aluno de História da UEG escrever sobre. Sabemos muito bem que, tirando um ou dois gatos pingados dentro da UEG - Itumbiara,pouquissimas pessoas leêm sobre. Em relação a sua postura de acreditar que as conquistas espitemológicas são de todas as areas do saber, eu concordo plenamente e você sabe disso. Porém, o historiador ao escrever um texto falando de Psicologia, deve no miníno conhecer a literatura que está sendo produzido há algum tempo. Espero que me entenda.
Sergito... forte abraço.
Marcos, pode não estar explícita em seu comentário a idéia de que a psicologia (com minúscula mesmo) não dialogue com as outras "ciências", mas que ficou a sensação de que, para você, a psicologia se apresenta como algo dotado de saber absoluto, com chaves para todas as questões do ser heideggeriano ou da totalidade luckacsiana, isto ficou. Quanto às referências de que Foucault teve base em seus trabalhos em Jonh Gagnon, pra mim foi uma novidade, porque lendo um dos seus biógrafos, Didier Eribon, e tantos outros autores e muitos dos textos de Foucault, inclusive o seu Hermenêutica do sujeito, transparece que uma das influências da psicologia sobre seus trabalhos, mas espificamente da psicanálise, assenta-se em Jacques Lacan que, como Lévi Strauss na antropologia, Sausurre na linguística e Althusser na filosofia (Althusser foi professor de Foucault), era estruturalista. Resta saber se Jonh Gagnon se enquadra nesta perspectiva teórico-metodológica para entendermos melhor essa possível influência sobre os trabalhos de Foucault que, recordemos, foi acusado por ninguém menos do que Jean Piaget de ser um estruturalista. Quanto aos termos e noções novos que devem ser conhecidos nessa abordagem, não seria melhor deixarmos de falar em homossexualidade e ficarmos com o homoerotismo? Lembremos também, Marcos, que a questão da "homossexualidade" em Foucault (vivê-la, praticá-la) era um tanto complicada, pois seus biógrafos comentam muito que, sempre que Foucault vivia alguma experiência neste sentido (você sabe de qual sentido estou falando), ele era tomado ou entrava num período de depressão profunda. E quando falei de historiador, não estava me referindo ao autor do texto que foi publicado aqui no blog, atitude que elogio também como você e, ainda, concordando com você, acredito deveria ter sido acompanhada de mais embasamento. Mas, Marcos, porque precisamos sempre da psicologia como "ciência", da história como "ciência", da sociologia como "ciência" e de tantas outras "ciências" para falarmos sobre algo do cotidiano? Por que essa necessidade sempre do "discurso competente" da "ciência"? Abraços ...
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