quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O fim do curso de História

Sou aluno do curso de História da Universidade Estadual de Goiás. Engraçado... há algum tempo atrás falar isso me enchia de orgulho, de saber que em Itumbiara tinha um curso de História, o qual sustentou essa universidade por mais de dez anos, não só este, como também o curso de Ciências Econômicas. Eles foram a base que sustentou a Universidade do cerrado em plena região sul do estado. Os alunos que formaram em História, nesses dez anos, só terão a satisfação de dizer que formaram em Itumbiara. Digo isso porque, diante de uma série de problemas que a Universidade vem passando desde sua criação em 1999/2000, não foi o suficiente para manter o curso de História em nossa unidade, levando - o à “migração”.

O curso de História da UEG de Itumbiara está migrando, vai para onde “só Deus sabe”, e o que é pior, é o único curso de licenciatura plena que está sendo ministradas em Itumbiara, as outras faculdades aqui existentes estão fechando seus cursos de licenciatura plena do ensino regular. O que mais me chama a atenção é que a saída do curso de História não significa necessariamente que virão outros cursos na área da educação, uma vez que já foi manifestada pelos nossos governantes a idéia de fazer da Unidade de Itumbiara um pólo da saúde. A priori não tenho nada contra, desde que não chegue sucateado, sem as menores condições de se formar um profissional com capacidade de sair da Universidade e ocupar um lugar no mercado de trabalho. A UEG de Itumbiara pode ter suas limitações no curso de História, mas formou profissionais que estão levando o nome dessa unidade para o mundo.

E não pára por aí: se nesse momento é o curso de História que está de “malas prontas”, quem garante que o próximo não será o de Ciências Econômicas? Tudo bem... a procura no curso de Economia ainda é grande e, talvez, ainda demore um pouco mais para que isso ocorra.

Agora, o que me preocupa é que “as cabeças pensantes” estão no curso de História, a força da “revolução” das massas está ali, o poder do questionamento, a audácia de fazer a crítica, a forma clara de questionar os políticos e lutar por direitos iguais, a luta por um ensino de qualidade. É o historiador que está pronto para ir para ao debate, é o historiador que busca no seio da sua ingenuidade entender o passado, trazer a tona informações que outros profissionais não conseguem, ou se conseguem, não terão a mesma veracidade, os fatos chegarão retorcidos.

Apesar de não adiantar “chorar pelo leite derramado”, o que nos resta é formar as quatro turmas existentes sem perder a qualidade do ensino que até agora foi passado. É uma situação delicada e que só cabem a nós, historiadores em formação, não deixar a “peteca cair” e continuar nossa luta por um curso de qualidade até seu fim: 2013/2014.



Paulo Sérgio Arantes é aluno do 3º ano do curso de História da UEG de Itumbiara.

4 comentários:

Unknown disse...

P.S Arantes, eu gostaria de comentar esse trecho do seu artigo: "O curso de História da UEG de Itumbiara está migrando, vai para onde “só Deus sabe”, e o que é pior, é o único curso de licenciatura plena que está sendo ministradas em Itumbiara, as outras faculdades aqui existentes estão fechando seus cursos de licenciatura plena do ensino regular..."
Paulo,no texto acima você afirma que o único curso de licenciatura plena que está sendo ministrado em Itumbiara é o de História - UEG, antes de fazer tal afirmação, você deveria fazer uma pesquisa nas Universidades existente na sua cidade. Vá ao IFET- Itumbiara e pergunta qual é a modalidade de curso superior que eles oferecem (Quimica- habilitação em licenciatura Plena, vá a Unifasc e pergunte qual a modalidade do curso Normal Superior que eles oferecem(Licenciatura PLena) e por último, vá ao Iles/Ulbra e pergunta sobre os cursos de Ed. Fisica, Biologia e Quimica (que são de Licenciatura Plena e não estão fechando, pelo contrário, são cursos que dão turma no vestibular de Janeiro e no de Junho). É válido ressaltar que o curso de Matemática não dá turma há algum tempo, que o curso de Letras está passando por algumas dificuldades e que o curso de Pedagogia também, mas isso não significa que eles estão fechando, pois, não foi decidido nada sobre o fechamento deles. A única coisa que você poderia afirmar com propriedade é sobre o curso de História-Unu Itumbiara, esse sim, já discutiu e anunciou o fechamento. P.S Arantes, antes de fazer qualquer afirmação desse tipo, você deveria "pesquisar" um pouquinho mais, caso contrário, os seus textos ficarão iguais os da Revista Veja. Mesmo que o seu texto seja apenas informativo, você precisa tomar alguns cuidados.
Eu gostei da sua iniciativa, P.S Arantes.
É uma pena saber que o curso de História será fechado!!!
Abraços.

Sérgio - DOMSERGITO disse...

P. S. Arantes: creio que os comentários do Marcos são suficientes em relação às afirmações sobre o possível fechamento de cursos de licenciatura plena em Itumbiara, por isto vou me concentrar na parte de teu texto em que você afirma que as cabeças pensantes estão no curso de história (com minúscula mesmo), o que é uma assertiva um tanto preconceituosa e arrogante, você não acha? Temos muitos colegas da própria UnU de Itumbiara do curso de ciência econômicas (com minúscula de novo) que são também cabeças pensantes, que questionam que criticam, que também lutam por um ensino de qualidade e, por outro lado, temos muito colegas do curso de história que, infelizmente, não são essas "cabeças pensantes", que não questionam, que não criticam, que não estão nem aí para um ensino de qualidade, que querem só o diploma e nada mais. Creio que essa afirmação que você fez pode só atrair a antipatia de muitos colegas, do curso de história, do curso de ciências econômicas, e de outros cursos que poderão ler a Ágora Acadêmica e o que foi postado aqui no blog. Quanto ao fechamento do curso de história na UnU de Itumbiara, às vezes fico me perguntando se não é melhor mesmo fechar, pois é lamentável ver o que sai da UEG com um diploma de licenciado em história: apenas um "diplomado analfabeto" (esta expressão é de um sociólogo francês chamado Lucien Goldmann, morto em 1970). Por hora, é só isto que gostaria de comentar. Abraços ...

Sérgio - DOMSERGITO disse...

P. S. Arantes, concordo com as ponderações do Marcos acerca do que você afirmou sobre as licenciaturas, sendo que gostaria de focar agora aquelas afirmações que fizestes em torno das "cabeças pensantes", dos que "criticam" e dos que lutam por um ensino de qualidade na UEG estando apenas no curso de história. Seguramente, Arantes, você foi infeliz também em raciocinar desta forma, também preconceituosa e capaz de dividir mais ainda os discentes da UEG. Além de preconceituosa, dizer que arrogante não seria um erro. Pessoas que "pensam", que "questionam", que "criticam", que "lutam" por um ensino de qualidade estão em ambos os cursos da UnU de Itumbiara (história e ciências econômicas), bem como pessoas desinteressadas, preocupadas apenas em ter um "diploma" também estão nestes dois cursos. Portanto, Arantes, perdoe-me a sinceridade, penso que no próximo número da Ágora Acadêmica seria interessante, necessário mesmo, você se desculpar por uma postura tão desastrosa como esta. Gostaria de comentar também a questão do fechamento do curso de história na UnU de Itumbiara, dizendo que, por um lado é lamentável, mas por outro lado, talvez seja até bom dar um basta nessa distribuição de "diplomas" de licenciados em história que, venhamos e convenhamos, acontece em toda a UEG, não apenas com o curso de história. Chego a pensar que essa distribuição de "diplomas" é um problema crônico de todo o ensino superior, muito mais frequente entre as particulares, mas também presente nas instituições públicas, mas isto é assunto pra outra hora. Por enquanto, fica aqui esse comentário que, acima de tudo, quer contribuir para o crescimento de todos nós. Abraços ...

Paulo Arantes disse...

Olá DomSergito quero te agradecer pelas suas orientações acerca do texto e com certeza farei o que você sugere no próximo número do Ágora.

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